Eu, mãe!

Vendo mais um desabafo sobre o insucesso da amamentação se tornar viral na internet, reservei um tempinho para  dividir com vocês um pouco da minha experiência pessoal com o aleitamento materno! 

No dia 24 de dezembro de 2015, nasceu minha filha Larissa! Trabalhando há anos com amamentação, me preocupei em deixar tudo alinhadinho com a equipe médica que me acompanhou durante o parto: ela foi amamentada na primeira hora de vida, veio ao seio na sala de parto e não foi prescrito nenhum tipo de complemento como rotina! Porém, apesar de tudo ter começado exatamente como planejado, se eu não fosse uma consultora em amamentação teria, com certeza, precisado muito de uma…

Larissa nasceu às 04:13h da manhã e, durante o dia, a amamentação transcorreu normalmente. Pega correta, sucção adequada, colostro em boa quantidade e intervalos de mamadas bem regulares, o que me permitia descansar e dar um alívio para o seio também! Mas mesmo assim, com tudo teoricamente perfeito, ela sugava muito forte, o que foi suficiente para provocar “rachaduras” em menos de 24 horas. Doía bastante, ardia e foi nessa hora que vivenciei tudo que sempre ouvi das mães que já acompanhei: “achei que seria mais fácil”!

Somado a isso, por volta do terceiro dia veio a apojadura, que é a “descida” do leite. O seio aumentou muito de tamanho, endureceu, o excesso de leite molhava a roupa, a pega ficou mais difícil… Precisava acordar no meio da noite para fazer ordenha, retirar um pouco de leite antes de cada mamada, e ter vários cuidados para evitar problemas como mastite, ingurgitamento, candidíase e outros característicos dessa fase.  

Essas dificuldades que senti são comuns para quem está iniciando o aleitamento materno. Mas a diferença é que, como profissional da área, eu já sabia como lidar com elas! Com o correto manejo das ordenhas, da alternância de mamas e da livre demanda, consegui que em pouco tempo minha produção fosse adequada à necessidade da Larissa e hoje estamos em perfeita harmonia! As fissuras demoraram um pouco mais pra melhorar (cerca de duas semanas!), mas com alguns cuidados básicos, como por exemplo o banho de sol, laserterapia e uso correto do intermediário, consegui que elas cicatrizassem aos poucos sem que fosse necessário interromper o aleitamento. Hoje nem me lembro mais de como eram as dores!

Que amamentar não é tão intuitivo como parece, muita gente conta! O que não te contam é que para a maioria dos problemas há soluções, e que a amamentação não se resume ao “caos” que enfrentamos nas primeiras semanas. O caminho é muito árduo sim, e o que normalmente se oferecem são soluções imediatistas como mamadeiras, fórmulas prontas e um discurso errôneo sobre essas questões que fazem com que essas mães se sintam incapazes de amamentar ou assumam para si mesmas que essa experiência é  negativa. 

Acreditem! A fase do “amamentar é lindo e prazeroso” que dizem por aí existe SIM, não é utopia e não é uma “romantização da maternidade”! Não desistam de amamentar antes de procurarem uma consultoria, seja qual for a dificuldade que esteja enfrentando! Com informação, ajuda profissional e um pouquinho de perseverança a amamentação exclusiva pode ser estabelecida com muito sucesso e ser muito gratificante para mamãe e bebê!