Fissura labiopalatina: quando procurar um fonoaudiólogo?

As fissuras labiopalatinas são malformações congênitas caracterizadas pela fusão incompleta do lábio e/ou palato. Ocorrem entre a quarta e décima semana de gestação e ainda não possuem causas bem definidas.

Quando acontecem de maneira isolada, sem síndromes ou complicação associadas, podem ter um impacto leve na qualidade de vida do indivíduo, já que não há comprometimento cognitivo ou neurológico. O tratamento deve ser feito com equipe multiprofissional e especializada para uma boa condução do caso.

Durante muitos anos, o foco principal da Fonoaudiologia nas fissuras labiopalatinas foi a reabilitação da comunicação oral. Atualmente, porém, o atendimento visa à qualidade de vida e à prevenção de complicações decorrentes dessa patologia. O acolhimento já se inicia no pré-natal, proporcionando à gestante e à família informações técnicas de qualidade e apoio emocional.

Ao nascimento, a avaliação fonoaudiológica pode ser determinante para o sucesso da alimentação do recém nascido. Infelizmente, muitos bebês ainda são levados para unidades de cuidados intensivos e alimentados por vias alternativas sem necessidade. Isso ocorre pois há um receio dos pais e dos profissionais em iniciar a alimentação dos bebês fissurados. O medo de broncoaspiração (entrada de leite no pulmão) e a preocupação de que haja refluxo de leite pelo nariz, por exemplo, são muito comuns.

Nas fissuras em que há comprometimento apenas do lábio, a amamentação pode transcorrer sem dificuldades, sendo necessários apenas ajustes posturais e orientações! A cirurgia plástica oorre por volta dos 3 meses de idade e, quando feita por profissional capacitado, não costumam deixar sequelas!

Nos casos em que há malformação do palato, as dificuldades podem ser um pouco maiores. Na maioria das vezes, a dificuldade na extração do leite é confundida com uma inabilidade de sucção. Tal dificuldade, porém, acontece pela diminuição da pressão intraoral, enquanto que a sucção está normal. Em alguns casos, orientações quanto à postura e pega podem propiciar uma alimentação natural em seio materno, se essa for a vontade da mãe. Em outros casos, pode ser necessário o uso da placa obturadora (as famosas “plaquinhas”) para auxiliar na pressão intraoral e há, ainda, situações onde a introdução e adaptação de outros utensílios serão a melhor solução.

O atendimento especializado ao neonato portador de fissura é fundamental. Uma avaliação fonoaudiológica criteriosa poderá indicar a presença ou não de riscos para alimentação por via oral, bem como gerar uma intervenção específica e respeitosa, que evite procedimentos desnecessários e a introdução precoce de fórmulas e bicos artificiais.

As cirurgias do palato só são realizadas por volta de um ano de idade. Durante esse tempo, é importante o acompanhamento da amamentação, da introdução da alimentação complementar, e o auxílio pré e pós operatório. Pela deformidade anatômica, uma das sequelas das fissuras de palato pode ser a voz anasalada. No entanto, há estímulos e exercícios que podem ser feitos antes mesmo da cirurgia para que esses risco seja minimizado, o que mais uma vez reforça a importância do atendimento fonoaudiológico precoce nos casos de fissuras labiopalatinas.

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