Para minha filha, sobre minha mãe.

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Na semana passada, comemorei um ano que descobri que você estava aqui comigo! Lembro-me como se fosse hoje do frio na barriga, do nó na garganta, do medo de não conseguir ser o que você merecia.

Assim, de surpresa, você chegou e tomou conta de mim. Meu corpo não era mais meu, era nosso. As regras não eram mais as minhas, eram as suas. E, desde então, comecei a minha entrega a você…

Foram 40 semanas. Você se preparando para encarar o mundo, eu me preparando pra encarar você! Li muito, estudei, escutei mais conselhos do que eu gostaria. Eu queria estar pronta! Afinal, mãe tem todas as respostas, mãe cura machucados com beijo, faz monstros desaparecerem, faz a dor sarar, faz comidas gostosas. Mãe conhece o choro de manha, o choro de sono, o choro de fome, o choro de dor e sabe como acabar com todos eles. Mãe não dorme, não come, não toma banho, não tem tempo pra si própria, e bla bla bla… Calma, Vanessa. Respira.

 No dia 24/12 nascemos, mãe e filha. E você chegou num parto que já me mostrou a essência da maternidade: não é fácil, mas vale a pena. Doeu, doeu muito. Mas bastou o seu olhar, que parecia ler minha alma mesmo sem conseguir enxergar direito o meu rosto! Bastou a primeira mamada, mesmo que dolorida. Bastou o primeiro sorriso, mesmo sendo um simples reflexo. Vale a pena…

Sou privilegiada, eu sei! Me preparei para o caos, mas você me presenteou com a calmaria! Me preparei  para chorar sem motivo, mas você só me trouxe sorrisos. Me preparei para noites mal dormidas, mas você me trouxe sonhos maravilhosos. E eu, que pensei que teria tanto pra te ensinar, não me canso de aprender com você!

Nesses 4 meses aprendi, inclusive, sobre a tal “maternidade real”. Descobri que mães não têm superpoderes. Descobri que beijo não sara a dor, é preciso mais que isso. Descobri que a gente não conhece o choro, conhecemos a (o) dona (o) dele! Descobri que mães não têm todas as respostas, pelo contrário, têm mais perguntas que imaginamos. Descobri que as mães têm fraquezas, que choram escondidas tomando banho por acharem que não vão dar conta ou simplesmente por estarem cansadas mesmo. Descobri que o discurso cheio de segurança esconde o medo de errar que grita dentro delas. Descobri que ser mãe é sentir um amor que, de tão grande, tão forte, tão intenso, até dói. Descobri que mães só são as melhores pessoas do mundo porque vocês, nossos filhos, nos enxergam assim. Afinal, a cada vez que você sorri e se agita quando chego perto do seu berço ou que para de chorar quando te pego no colo é como se me dissesse “ei, você está fazendo um bom trabalho!”.

Se antes eu já amava a minha mãe, sua chegada fez com que eu a admirasse ainda mais! Ela cuidou de mim em tempo integral com a mesma entrega e dedicação com que eu cuido de você, que ainda é um bebê. Ela, ao longo de toda a minha vida, renunciou a si própria por diversas vezes para que pudesse me ver crescer de perto. Ela me deu conselhos, me deu apoio, me deu palmadas e muito, muito amor. Já me fez raiva, já me fez chorar, já me fez passar vergonha e, com tudo isso, me fez ser uma pessoa melhor. Ser uma mãe perfeita é muito difícil, mas ela conseguiu!

É, filha, eu não posso dizer que você terá a melhor mãe do mundo, pois ela já é minha. Mas eu te prometo, do fundo do meu coração, que tentarei ser pra você o mais próximo possível do que ela é para mim…

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