Redinhas de alimentação: usar ou não usar?

Com a promessa de auxiliar as crianças na descoberta de novos alimentos, as redinhas de alimentação são tidas como um sucesso entre as mães preocupadas com a segurança na introdução alimentar, sobretudo pelos temidos engasgos.

Antes de analisarmos os riscos e benefícios desse objeto, é importante entendermos o que, de fato, é o engasgo. Ele acontece quando há a penetração de um corpo estranho (alimento, objeto ou até mesmo saliva!) na via área, com consequente dificuldade respiratória. Normalmente, vem acompanhado de tosse forte, numa tentativa do organismo de expulsar tal corpo estranho e, apenas em casos mais graves, manobras de desengasgo são necessárias. 

Assim como a tosse, nosso organismo apresenta um outro reflexo de proteção: o reflexo de náusea ou Gag. Muito confundindo com o engasgo, o reflexo de Gag é bastante comum no momento da introdução alimentar.  Ele ocorre porque os receptores sensoriais intraorais são muitos sensíveis e respondem às novas sensações provocadas pelo alimento de maneira um pouco exacerbada.

O desenvolvimento motor oral está em constante desenvolvimento, sobretudo no momento da introdução da alimentação complementar, que deve ser feita somente após o sexto mês de vida. Nessa fase, o bebê já é capaz de realizar uma maior diversidade de movimentos com a língua, esboça a mastigação e a percepção de volume, sabor, textura, consistência, temperatura, entre outras, são de extrema importância, inclusive, para que ele desenvolva bem suas habilidades motoras orais e seja capaz de se alimentar com mais segurança. 

Entendendo isso, é importante analisar a proposta das redinhas de alimentação com muita cautela. Com esse utensílio, o bebê é privado de perceber o bolo alimentar na boca, de ter noção de quantidade, textura e até mesmo de treinar as diferentes formas de deglutição. A criança recebe na boca apenas a consistência líquida, o sumo do que foi triturado. Além disso, a rede dificulta a lateralização de língua, o vedamento labial e não permite o treino da captação do alimento na colher, da incisão e tantos outros benefícios já mencionados.

Existem diversas metodologias e filosofias acerca da introdução da alimentar complementar. No entanto, é consenso que essa deve ser feita da maneira mais natural possível. É importante respeitar as características de cada alimento, seus sabores, texturas, consistências e apresentá-l-os da maneira que o bebê melhor se identifica!

Se encontrar dificuldades nesse processo, procure um profissional!

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