Síndrome de Down: vamos falar de amamentação?

Hoje comemoramos o Dia Mundial da Síndrome de Down, condição genética descrita por John Langdon em 1866, caracterizada pela trissomia do cromossomo 21. Além das características físicas, que são bem definidas e podem ser identificadas ainda durante a gestação, são também comuns a essa síndrome o atraso do desenvolvimento psicomotor, cognitivo, hipotonia muscular global (inclusive da musculatura facial), e alterações orais, como por exemplo uma desproporção entre o tamanho da língua e da cavidade oral e palato ogival.

E será que é possível amamentar um bebê com síndrome de Down?

Uma pesquisa (que você pode ler na íntegra aqui) investigou o comportamento de mães de bebês com a síndrome e os resultados foram muito interessantes! De acordo com os autores, aquelas que conseguiram amamentar seus bebês sem dificuldades atribuíram o sucesso do aleitamento ao apoio que receberam da equipe profissional e/ou simplesmente ao fato de que nunca tinham ouvido falar que seus bebês poderiam ter limitações para mamar.

A importância do apoio profissional e familiar também foi citada pelas mães que não conseguiram amamentar seus filhos. Para elas, a falta de incentivo, de informações e de orientação foram determinantes para que não conseguissem levar o aleitamento materno adiante, juntamente com o stress, as dúvidas e inseguranças inerentes à chegada de um bebê com necessidades especiais.

Os pesquisadores revelaram, ainda, um terceiro grupo, no qual os bebês apresentaram dificuldades reais para mamar, sobretudo aqueles com outras complicações associadas. E isso pode mesmo acontecer. Em alguns casos, o grau de hipotonia ou do atraso psicomotor pode levar ao que chamamos de disfagia, que é a dificuldade para se alimentar por via oral. Nos bebês, os principais sintomas são as alterações de sucção, tosse e engasgos frequentes, acúmulo de leite na boca, cansaço excessivo durante as mamadas e baixo ganho ponderal. Nesses casos, a avaliação e acompanhamento de um fonoaudiólogo são indispensáveis pois, além de estimular e tratar o bebê, esse profissional é capaz de orientar as adaptações posturais necessárias ou até mesmo recomendar a utilização de outros utensílios para propiciar a oferta do leite materno. 

Conhecendo as diferentes experiências dessas mães, podemos concluir que a amamentação do bebê com síndrome de Down é, não só possível, mas também recomendada, e as mães que desejam amamentar devem ser encorajadas a isso! Além de todos os benefícios já conhecidos do aleitamento materno, essa função tem um impacto importantíssimo para essas crianças, uma vez que os movimentos realizados para a extração do leite constituem uma verdadeira “ginástica” para a musculatura facial, auxiliando na redução da hipotonia e estimulando o desenvolvimento oral. 

Então, vamos deixar os mitos de lado e divulgar essa ideia?

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